O Rompimento

O Rompimento

5 de novembro – Um dia triste na história 

Narrar a história do maior desastre socioambiental brasileiro é complexo. São diversos olhares. Inúmeros impactos. Cada comunidade, espaço ou vidas sofreram de modos distintos. Alguns foram arrancados de suas raízes, do local onde nasceram e viveram.

Outros tiveram suas propriedades rurais inundadas pela lama. Inúmeras localidades vivenciaram repentinamente a falta de abastecimento de água. Aqueles que dependiam do rio Doce para se alimentar ou retirar seu sustento, também veem sofrendo desde então. Indígenas e povos tradicionais que cultuavam o rio, muito além de buscarem água e alimento, perderam uma referência fundamental de sua cultura: o rio. Lá celebravam a vida. Eram batismos, rituais e festas. Hoje elaboram o luto.

Pelo longo trajeto da barragem que se rompeu até a foz, foram 39 municípios impactados. Houve a morte de 19 pessoas e incontáveis animais. Distante a apenas oito quilômetros da barragem de Fundão, Bento Rodrigues, distrito do município de Mariana, foi quase completamente destruído. A infraestrutura de outro distrito de Mariana, Paracatu de Baixo, e ainda de Gesteira, distrito de Barra Longa, também sofreram fortemente com a passagem da onda de rejeitos.

O rompimento da barragem de Fundão ocorreu no dia 05 de novembro de 2015, às 15 horas e 30 minutos.

Este é o maior desastre socioambiental já ocorrido em nosso país. Cerca de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos provenientes da mineração de ferro foi despejada no meio ambiente, percorrendo 670 quilômetros até desaguar na foz do rio Doce, em Linhares, no Espírito Santo.

A barragem de Fundão pertencia ao Complexo Industrial de Germano, de propriedade da Samarco Mineração S/A – empresa controlada pela BHP Billiton Brasil Ltda. e pela Vale S/A.

“Em sua rota de destruição, à semelhança de uma avalanche de grandes proporções, com alta velocidade e energia, a onda de rejeitos atingiu o Córrego de Fundão e o Córrego Santarém, destruindo suas calhas e seus cursos naturais.

Em seguida, soterrou grande parte do Subdistrito de Bento Rodrigues, localizado a 6 km da barragem de Santarém, dizimando 19 vidas e desalojando várias famílias. Já na calha do rio Gualaxo do Norte, a avalanche de rejeitos percorreu 55 km até desaguar no rio do Carmo, atingindo diretamente várias localidades rurais, como as comunidades de Paracatu de Baixo, Camargos, Águas Claras, Pedras, Ponte do Gama, Gesteira, além dos municípios mineiros de Barra Longa, Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado.

No trecho entre a barragem de Fundão e a Usina Hidrelétrica Risoleta Neves (também conhecida como UHE Candonga), a passagem da onda de rejeitos ocorreu de forma mais violenta, acarretando o transbordamento de um grande volume de rejeitos para as faixas marginais do rio Gualaxo do Norte e rio do Carmo, em enorme desproporção à capacidade normal de drenagem da calha desses corpos hídricos, ocasionando a destruição da cobertura vegetal de vastas áreas ribeirinhas, por meio do arrancamento da vegetação por arraste, inclusive com a remoção da camada superficial do solo. Observou-se, também, nessa área a deposição de rejeitos sobre o leito dos rios e vastas áreas marginais, soterrando a vegetação aquática e terrestre, destruindo habitats e matando animais.

Após percorrer 22 km no rio do Carmo, a onda de rejeitos alcançou o rio Doce, deslocando-se pelo seu leito até desaguar no Oceano Atlântico, no dia 21 de novembro de 2015, no distrito de Regência, no município de Linhares (ES).”

Fonte: http://www.mpf.mp.br/grandes-casos/caso-samarco/o-desastre

Mapa dos municípios atingidos

Linha do tempo da Reparação